Transcrições das intervenções dos participantes em colóquios, debates ou outras sessões públicas promovidas pelo PCTP/MRPP ou das intervenções de camaradas em sessões nas quais hajam participado
Sábado, 8 de Dezembro de 2007
Viva o MRPP!

Caros camaradas, caros amigos do Partido, saudando em particular os que acabaram de nos acompanhar — ou, muitas vezes, nós a eles — numa importante e enriquecedora batalha política que foram as eleições para a câmara de Lisboa.

Estamos aqui, hoje, para assinalar mais um aniversário da fundação do MRPP numa situação política em que precisamos de nos valer de muito do património legado pelo MRPP.

O aparecimento do MRPP, em 18 de Setembro de 1970, constituiu um marco indelével na história política do nosso país e um decisivo contributo para o desenvolvimento do movimento popular, revolucionáio e comunista português e internacional: sob a direcção e orientação, desde a sua fundação, de um grande marxista — o camarada Arnaldo Matos — o MRPP afirmou-se logo como uma organização que rompia com o oportunismo e o revisionismo em todos os campos, destacando-se por uma combatividade e métodos de luta contra o regime fascista que cedo o levou a obter um crescente apoio, em primeiro lugar, dos jovens e, progressivamente, dos trabalhadores, e a ser apontado pela PIDE como o inimigo número um e, simultaneamente, odiado pelo PCP que via escapar à sua influência oportunista o sector mais esclarecido e avançado que era a juventude.

Falar no MRPP é falar, também e antes de tudo, na memória do primeiro mártir marxista-leninista que foi Ribeiro Santos — cujo 35º aniversário do seu assassinato pelos esbirros da PIDE ocorre no próximo dia 12 de Outubro —, é falar numa linha política e numa táctica e prática revolucionárias, é falar numa alteração radical da luta contra a guerra colonial, apelando à transformação dessa guerra numa guerra civil revolucionária e à deserção e, já depois do 25 de Abril, à recusa dos soldados ao embarque para as colónias.

No período que se sucedeu ao 25 de Abril — saudado pelos oportunistas como a revolução libetadora do povo português — no meio de uma miríade de organizações que se proclamavam de marxistas, e que aqui desembarcavam vindas de Paris, o MRPP assumiu sempre, ainda que em minoria, o destacado papel de não alinhar nas ilusões acerca do regime político emergente e de travar uma luta sem tréguas contra o golpe social-fascista desencadeado pelo PCP com vista a impor uma ditadura ainda mais sanguinária do qu a ditadura que acabara de cair.

E que o digam as centenas de militantes e simpatizantes do MRPP que foram presos e torturados nas prisões do COPCON/PCP.

Mas, apesar de fustigado, perseguido, caluniado — hoje a D. Zita Seabra já não acha que as pinturas do MRPP ou a sua acção política, que ela também terá experimentado no corpo, eram obra da CIA —, o MRPP continuou e continua ainda a ser o ausente sempre presente a respeito de tudo o que de mais importante ocorreu na história da luta política em Portugal.

O que, talvez agora, importa reter do património político e ideológico que herdámos do MRPP deve ser sem dúvida a posição de, sejam quais forem as dificuldades e adversidades, não ceder ao oportunismo, não vender os princípios, não dobrar a cerviz em troco de mordomias e migalhas do poder, não capitular perante a demagogia, não enterrar a ideologia marxista para conquistar lugares no parlamento.

Hoje estamos de novo postos à prova para, contra o pântano do oportunismo, dar voz e corpo à revolta dos explorados que nada têm a perder e dos oprimidos e esmagados pela política deste governo.

O governo do PS/PSD/Cavaco Silva, dirigido pelo engenheiro Sócrates — que ainda está por esclarecer se é mesmo engenheiro ou não — é um governo de pilantras, repressivo e autoritário, apostado em transformar definitivamente o país num paraíso para os grandes monopólios, usando de forma ditatorial da maioria absoluta de que dispõe e contando com a cumplicidade confrangedora de uma falsa oposição parlamentar.

Invocando a necessidade de reformas — na verdade para assegurar o bem-estar dos capitalistas, em particular do grande capital financeiro — o governo de Sócrates desencadeou um ataque de grande envergadura contra os trabalhadores e, em nenhum dos sectores que se vangloria de reformar, como os da saúde, educação ou justiça, os cidadãos sentiram a mínima melhoria. Pelo contrário, o que verificam é que o invicado aumento da receita fiscal, ou seja, o auemto da cobrança dos impostos não é utilizado para melhorar aqueles serviços públicos tornando-os gratuitos e garantes de uma melhor qualidade de vida, mas para mostrar aos patrões de Berlim e Bruxelas que são bem mandados. Aqui o que o governo tem antes em vista é precisamente o inverso: é privatizar o que resta desses serviços públicos fundamentais.

O governo de José Sócrates, ao mesmo tempo que faz o pino para escamotear o inevitável insucesso das suas medidas no campo do desemprego — em lugar de baixar, o desemprego tem subido, mesmo com malabarismos do tipo de não contabilizar os 45.000 professores não contratados, quer como professores (a ministra fala no primeiro emprego), quer como desempregados, porque, afinal, muitos deles nem sequer estavam inscritos nos centros de emprego e estariam considerados proessores a agguardar o concurso... Mas, ao mesmo tempo que assim actua, o governo Sócrates não consegue disfarçar a sua intenção de reduzir a pó os mais elementares direitos de cidadania, instaurando um ambiente de medo e bufaria para abafar os protestos ou reclamações dos cidadãos.

Transformar o estado e o governo num polícia permanente que vigia e controla 24 horas o cidadão é o desejo de Sócrates e de um governo "socialista".

(...)

Mas não podemos deixar de denunciar o papel da nossa imprensa em tudo isto. calados pelo medo, pela intimidação ou pelo dinheiro, os nossos jornalistas têm dado uma cobertura vergonhosa às fanfarronadas e encenações do primeiro-ministro e do governo quando este visa com elas cobrir a realidade crua da vida dos cidadãos.

Caros camaradas e amigos, temos muitas batalhas pela frente.

O que acima de tudo é importante é não ajoelhar e fazer uma marcação cerrada e em todos os campos à actuação do governo do PS que, se em alguma coisa se pode distinguir do do PSD de Barroso e Santana Lopes, é que se tem mostrado ainda mais activo e engenhoso na liquidação progressiva dos direitos e liberdades dos trabalhadores e dos cidadãos em geral, e da independência nacional.

A luta é dura mas nós não vergamos!

Viva o MRPP!

Viva o PCTP! 

 



publicado por Gerês às 17:43
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